PORQUÊ SOFREMOS?


Estamos constantemente nos perguntando o porquê nós ou aqueles que amamos sofrerem? 

Deus é onipotente, amável, onipresente, fiel, cauteloso, tardio em irar-se, longânimo, benevolente, confiável e inteiramente
amoroso e misericordioso. Então porque Ele permite que venhamos
sofrer?  Ou porque que as guerras e chacinas são deflagradas em todo o mundo?

Não se preocupe! Não é só você que faz essa pergunta. Todos, por mais
crédulos que sejam ou pareçam já se perguntaram o mesmo em alguma parte de suas vidas. E ao mesmo
tempo que a resposta é difícil de ser dada, é difícil também de ser compreendida. Mas alguns pontos merecem nossa análise:

1) Temos livre arbítrio para agir da forma que quisermos. Deus criou os
seres humanos, e tudo o que há, dentro de uma esfera de liberdade. Nossa
maior função na criação de Deus é sermos seres que se relacionam com Ele de forma racional. Temos a opção de amá-lo ou não. A única diferença é que Deus concentra em si toda a felicidade que existe, e não escolhe-lo nos leva a caminhos de trevas. Mas
mesmo assim a opção de não amá-lo está disponível para uso, por todos.

Seria fácil se Deus pegasse no nosso braço e nos obrigasse a fazer o que é o
certo a ser feito em determinados momentos, mas isso nos transformaria
não em filhos mas sim em marionetes.

E não foi pra isso que fomos gerados.
Um amor que advém de uma imposição não é amor, é condição.
Deus nos dá a chance de escolher amá-lo, e por isso Ele não se entromete nas nossas escolhas, deixando-nos livres para tazer aquilo que quisermos,
democraticamente. Ele pode até agir em nossas vidas, mas teremos sempre
a opção de escolhermos. Alternativas sempre nos serão mostradas.

2) Podemos escolher como agir, mas não escolhemos as consequências desses atos. E essas consequências atingem não só a nós, mas aqueles
que nos rodeiam, de forma direta ou indireta. Nada está isolado no mundo.
E o risco é pra todos. Não há uma só pessoa que esteja a salvo de algo. O
mal está na fome de miseráveis na África, em Subúrbios, em boates que
incendeiam, ou até mesmo em prédios luxuosos, como o World Trade Center,
que são pegos de surpresa em atentados terroristas. Nós dirigimos nossos veículos por nós e pelos outros que guiam de forma imprudente, trabalhamos por nós e pelos ladrões
que roubam nosso patrimônio, da mesma forma que vivemos por nós e pelos outros que nos afetam negativamente com seus atos. E do mesmo modo afetamos aqueles que nos rodeiam. É tudo uma cadeia, um sistema regrado de ação e reação. E é por isso que inocentes sofrem: e a culpa não é de Deus, é sempre de todos nós.

3) Um mundo com roteiro pré-escrito seria um tédio. Nāo teria graça alguma
se nós não pudéssemos alterar o rumo de nossa história. Deus não destinou
um narcótico a morrer nas drogas, nem um mendigo a virar um empresário
bem sucedido. Nossos fins são frutos de nossas escolhas, como já expliquei
nos tópicos anteriores. O que Deus faz é apenas nos auxiliar e proteger
durante a caminhada, mas o pontapé inicial é sempre nosso. Por isso, inicial é sempre muitas vezes o mal nos chega ou chega aos nossos mais próximos como simples consequências daquilo
que escolhemos pra nós.

4) Deus não manda o mal para nossas vidas, nós é que o encontramos. É
claro que Deus pode evitar, e Ele assim o faz quando acha justo e pertinente, de acordo com seus propósitos, mas Ele também permite que aprendamos com nossos erros, e assim venhamos nos aperfeiçoar. Se você olhar por outro lado, verá que na verdade esses atos de Deus não demonstram que Ele não nos ama, mas ao contrário: Ele tem por nós o mesmo cuidado de um Pai, que ama seu filho e deseja que ele aprenda com seus atos e ande com
suas próprias pernas. 
 Conclui-se, portanto, que o mal advém não de Deus, mas dos nossos maus atos e pensamentos. E que Deus permite que soframos para que a lei de ação-reação
não seja quebrada, e assim venhamos responder por aquilo que escolhemos
pra nós, sendo isso fruto de uma liberdade dada por Deus. 

Não é descaso, é amor. Não estamos presos a um mundo mal, estamos, antes, livres de forma plena para agirmos conforme
entendermos, sem esquecer jamais que o menor dos toques que damos na nossa vida tomam proporções
inimagináveis na vida de todos aqueles que nos cercam, como uma gota que toca a superfície do lago e gera ondas gigantescas. 

Nesse mundo, existe mal
não porque Deus não exista, mas sim porque em muitos casos as pessoas
agem como se Ele não existisse.

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